Reforma Ortográfica



Esta postagem tem como objetivo divulgar de forma clara e objetiva as novas normas que passam a valer a partir do acordo que unifica o idioma português em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

As novas regras ortográficas já estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009, e de acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um período de transição até 2012 em que serão válidas as duas formas de escrever: a antiga e a nova.




Acentuação Parte 1

Acentuação dos ditongos das palavras paroxítonas

Some o acento dos ditongos (quando há duas vogais na mesma sílaba) abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte):

idéia ideia
bóia boia
asteróide asteroide
Coréia Coreia
platéia plateia
assembléia assembleia
heróico heroico
estréia estreia
paranóia paranoia
Européia Europeia
apóio apoio
jibóia jiboia
jóia joia
ATENÇÃO! As palavras oxítonas como herói, papéis, troféu mantêm o acento.

Acentuação Parte 2

Acento circunflexo em letras dobradas

Desaparece o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos):

crêem creem
lêem leem
dêem deem
vêem veem
prevêem preveem
enjôo enjoo
vôos voos


Acentuação Parte 3

Acento agudo de algumas palavras paroxítonas

Some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas:

baiúca baiuca
bocaiúva bocaiuva
feiúra feiura
ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí

Acentuação Parte 4

Acento diferencial

Some o acento diferencial (aquele utilizado para distinguir timbres vocálicos):

pêlo pelo
pára para
pólo polo
pêra pera
côa coa
ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.

Acentuação 5

Acento agudo no u forte

Desaparece o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:

averigúe averigue
apazigúe apazigue
ele argúi ele argui
enxagúe você enxague você
ATENÇÃO! As demais regras de acentuação permanecem as mesmas.

Alfabeto

Inclusão de três letras

Passa a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k“, “w” e “y“.


Grafia (Portugal)

Alterações limitadas a Portugal

Desaparecem o c e o p de palavras em que essas letras não são pronunciadas:

acção ação
acto ato
adopção adoção
óptimo ótimo

Hífen

Eliminação do hífen em alguns casos

O hífen não será mais utilizado nos seguintes casos:

1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:

extra-escolar extraescolar
aero-espacial aeroespacial
auto-estrada autoestrada

2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:

anti-religioso antirreligioso
anti-semita antissemita
contra-regra contrarregra
infra-som infrassom
ATENÇÃO! O hífen será mantido quando o prefixo terminar em r-
Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.

Trema

Extinção do trema

Desaparece em todas as palavras:

freqüente frequente
lingüiça linguiça
seqüestro sequestro
ATENÇÃO! O trema permanece em nomes como Müller ou Citröen.




Porto-Sul x Mata Atlântica nativa da Bahia




O Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria Estadual de Planejamento (SEPLAN), determinou por Decreto nº. 10.917, a desapropriação de 17 milhões de m² de área ambiental, na praia da Ponta da Tulha, localizada no município de Ilhéus. O objetivo é a implantação de um anel rodo-ferro-aero-porto, denominado Porto-Sul, que deverá interligar o Centro-Oeste ao Litoral Sul para que grãos, biocombustíveis e minérios sejam exportados. A questão tem sido discutida por especialistas ambientais com o Governo e a sociedade civil do local.

Em reunião ocorrida no dia 27 de março (quinta-feira) em Ilhéus, entre representantes da Prefeitura do Município, Estado e Sociedade Civil, que tratou de questões relacionadas com o projeto da construção do Porto-Sul em Ilhéus, o representante da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, Antônio Celso Pereira destacou a importância da implantação do porto que será utilizado para a exportação de minerais de ferro (e seus derivados), fertilizantes, derivados do petróleo e biocombustíveis, “faz parte dos planos do Governo Estadual de construir uma rótula de integração para escoamento da produção da região centro-oeste do país”. O porto estaria ligado ao aeroporto internacional e à ferrovia oeste-leste, tendo como ponto de partida o município de Caetité.

Com a instalação do porto, grande parte de área prioritária para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica será destruída. Segundo o Coordenador geral do Núcleo Mata Atlântica e promotor de Justiça, Sérgio Mendes, esse ato de desapropriação é preocupante já que a área proposta para implantação do retroporto é considerada como a de maior biodiversidade do planeta, apresentando uma riqueza biológica ainda não estudada. Além disso, “não se tem notícia de que tenha sido realizado qualquer estudo de impacto ambiental para a realização da obra, a qual, nos termos da Constituição Federal, deveria ocorrer de forma prévia”, diz Sérgio Mendes.

A utilização da área da Ponta da Tulha para a implantação de um porto poderá comprometer programas de desenvolvimento do ecoturismo na região, e de vários empreendimentos do setor hoteleiro e imobiliário. Também poderão ser prejudicados o programa dos corredores ecológicos, que viabiliza o fluxo genético para espécies de animais silvestres, e o Plano Diretório do Município, criado em 2007, que estabelece como diretriz para a região da Ponta da Tulha, de uso residencial e turístico associado à conservação dos remanescentes de florestas e restingas, manguezais e brejos litorâneos, muito comuns nesta costa.

A área decretada de utilidade pública faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Encantada, criada em 1993 e expandida em 2005, considerada posto avançado da reserva da biosfera da Mata Atlântica, pela UNESCO. Segundo Rui Barbosa da Rocha, diretor da ONG (Organização Não-Governamental) Instituto Floresta Viva, no zoneamento dessa APA, estão contidos muitos locais que funcionam como áreas de preservação permanente (app’s), nas quais aparecem fragmentos florestais que poderão ser ameaçados pelo polígono do aeroporto, “existe um conflito entre o aeroporto e as app’s da APA da Lagoa Encantada, em virtude da existência de grandes fragmentos florestais, o que poderá gerar grande impacto sobre esta região, haja vista a dimensão de equipamento desta envergadura sobre a APA, além do risco de expansão urbana e especulação imobiliária no local”.

De acordo com o diretor do Instituto Floresta Viva, a questão não é a construção do porto, mas sim o local onde ele poderá ser implantado, já que pode vir a comprometer o desenvolvimento de todo o destino turístico, “A vocação desta área é o uso turístico e residencial de baixa densidade, combinado a um sistema complexo de áreas protegidas, sob a APA, assim poderíamos projetar para este trecho do Sul da Bahia reservas particulares do patrimônio natural, refúgios de vida silvestre, estações ecológicas e áreas de conexão para corredores ecológicos, ampliando as possibilidades de vida silvestre para espécies ameaçadas de extinção.”, diz Rui Rocha.

A criação de estrutura de transportes na costa da Ponta da Tulha, que de acordo com o Governo, irá integrar aeroporto, minerioduto, porto, retroporto e ferrovia, poderá afetar seriamente a paisagem do litoral e modificar irreversivelmente o padrão cultural de comunidades tradicionais litorâneas. A presença de navios de grande porte em alto mar é também um fator que poderá vir a ameaçar a rota das baleias jubarte que utilizam o trecho da costa, entre Abrolhos e o Litoral Norte de Salvador, para se reproduzirem, além dos riscos de ocorrência de potenciais acidentes e derramamentos de óleos alcançando toda a orla, especialmente os recifes coralineos entre a Ponta da Tulha e Serra Grande.

Pesquisa: Ministério Publico do Estado da Bahia / Núcleo Mata Atlântica-NUMA